Valdir Barranco é recebido pela CES e cobra reassentamento de famílias

Após requerimento, deputado se reuniu com representantes da Companhia Energética de Sinop e cobrou o reassentamento de 244 famílias atingidas por obras da empresa

Valdir Barranco é recebido pela CES e cobra reassentamento de famílias

Depois de dois anos, a Companhia Energética Sinop (CES) finalmente decidiu falar com os representantes dos assentamentos 12 de Outubro, localizado no município de Cláudia, e Wesley Manoel dos Santos, de Sinop. O grupo é formado por 244 famílias atingidas pelas obras de construção da Usina Hidrelétrica (UHE) administrada pela empresa. Os assentados cobram o cumprimento de um acordo assinado pela CES com o Ministério Público Federal, o Incra e os próprios assentados, que garantem a transferência das famílias para outras áreas.

Os assentados explicam que as terras onde vivem há mais de 20 anos serão alagadas em breve com a abertura das comportas da UHE. As obras estão adiantadas, mas as famílias ainda não foram retiradas do local. “É um absurdo o que estão fazendo. Há dois anos, prometeram que iriam nos tirar daqui e colocar em outras terras compradas pela CES e certificadas pelo Incra, mas até agora nada”, contou Hélio Vitorino, assentado no P.A 12 de Outubro.

A discussão chegou à Assembleia trazida pelo deputado estadual Valdir Barranco que, na última quarta-feira (7), apresentou requerimento (370/16) cobrando explicações e providências por parte da empresa. A medida surtiu efeito três dias depois. No sábado (10), diretores da CES convidaram o deputado e representantes dos assentamentos para uma reunião.

“Estamos falando de centenas de pequenos produtores. Gente que com muito suor conseguiu o direito pela terra, mas que agora corre o risco de ficar sem nada. Não podemos aceitar esta situação. Por isso, fiz o requerimento depois de tentar a reunião amigavelmente por dezenas de vezes”, explicou Barranco.

Segundo o deputado, a demora na transferência das famílias e as incertezas do processo já estão provocando problemas de saúde nos assentados. Casos de estresse, estafa, hipertensão e depressão têm se tornado comuns nos dois assentamentos. “Nesta reunião, estava comigo a companheira Dalva Boim, do P.A 12 de Outubro, que não parava de chorar. O medo de perder tudo o que produziu em 20 anos de trabalho na terra, tem trazido diversos problemas. A carga de estresse é tão grande que ela já teve princípio de infarto. Seu vizinho entrou em depressão e se suicidou. Até quando vamos permitir isso?”, cobrou o parlamentar.

Barranco classificou a reunião de produtiva, pelo menos para parte dos assentados. “A CES garantiu que está finalizando a aquisição de uma área para reassentamento das famílias do P.A 12 de Outubro e apresentou o mapa de ordenamento fundiário dos lotes, com área média de 20 ha para cada família. Eles assumiram o compromisso de iniciar as construções das casas e a perfuração de poços artesianos individuais, com reservatórios e sistema de distribuição de água, em 30 dias. Se de fato ocorrer, o processo de transferência dos assentados terá início em junho de 2017”, explicou Barranco.

Para as famílias do assentamento Wesley Manoel dos Santos, as notícias não são boas. Segundo o deputado, embora as obras da usina hidrelétrica estejam avançadas, a CES ainda não definiu se irá reassentar as famílias ou indenizá-las. “Sequer há estudos sobre o valor das indenizações, caso venham a ser pagas, ou sobre vistorias e avaliações das áreas já apresentadas pelas famílias como terras passíveis de reassentamento”. Os representantes da Companhia Energética Sinop se limitaram a dizer que essas definições serão apresentadas em janeiro do ano que vem.

A direção da CES, na reunião representada pelo diretor de Meio Ambiente, Ricardo Padilha, o gerente Fundiário Luiz Zoccal e o diretor de engenharia e construção, Gustavo Reis Lobo de Vasconcelos, não informou quando haverá um novo encontro. Diante dos fatos, Valdir Barranco garantiu que vai continuar cobrando seriedade da companhia em relação às famílias atingidas pela barragem.

“Quero respostas conclusivas e solução para todas as famílias atingidas pela baragem. Não vou descansar enquanto toda esta situação não for resolvida. Reafirmo aqui meu compromisso de trabalhar pela reforma agrária e contra todo e qualquer tipo de injustiça social. Agradeço à direção da CES por nos receber para pelo menos discutir esta demanda”, concluiu o deputado.

RODRIGO AMORIM / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO

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