Al vai debater políticas públicas para jovens

Formação de jovens, falta de recursos, segurança pública, uso de drogas e projetos sociais serão temas abordados

Al vai debater políticas públicas para jovens

A formação dos jovens, a falta de recursos e de políticas públicas adequadas, segurança pública, drogas e os projetos sociais voltados para este público foram alguns dos assuntos debatidos na audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira (13). O evento contou com a participação de representantes do governo e também da sociedade organizada e foi uma iniciativa do deputado Valdir Barranco (PT).

O deputado presidiu a audiência e destacou a necessidade de políticas públicas voltadas para a formação do jovem e com isso evitar que eles sigam para o caminho da criminalidade. Para ele, o esporte, a cultura e a educação são os pilares que devem permear a vida do jovem para garantir um futuro de sucesso.

“O poder público precisa assumir o papel que tem sido feito de maneira isolada pela sociedade, que não tem recursos para isso. Quando o governo não faz seu papel, estes jovens são adotados pelo mundo do crime que age com mais competência.  Somente através da educação, cultura, esporte e arte é que vamos conseguir sucesso com os jovens”, afirmou o parlamentar.

Barranco ressaltou ainda que este é um trabalho que precisa do engajamento de todas as secretarias e de todos o entes federados: Município, Estado e União. A questão da segurança foi bastante discutida durante a audiência, principalmente porque a maior parcela das vítimas de violência está entre os jovens. “O medo da sociedade não é ilusório e nem criado pela mídia”.

A violência é fruto da falta da presença do Estado na vida do cidadão. Uma grande parte da sociedade não tem acesso aos serviços essenciais e a população fica privada do direito de ir e vir por conta da falta de segurança.

Projetos - A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso é responsável pelos projetos “De Cara Limpa Contra as Drogas”, “De Bem com a Vida” e “Rede Digital pela Paz” que foram apresentados durante a audiência. Cerca de 150 mil pessoas foram atendidas com as ações dos programas que objetivam prevenir o uso de drogas, combater o tráfico, a violência e a criminalidade dentro das escolas e ainda controlar o consumo e venda irregular de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.

Ao todo foram investidos R$ 2,2 milhões, o que representa cerca de R$ 14,00 reais por pessoa. Vale destacar que a cada R$ 1,00 investido na prevenção ganha-se R$ 10,00. O governo gasta em média R$ 2,5 mil por aluno ao ano, o que equivale a pouco mais de R$ 200,00 por mês. 

Porém, enquanto no ano passado foram investidos R$ 110 mil nestes três projetos da polícia, a previsão deste ano é que sejam gastos R$ 80 mil, sendo apenas R$ 5 mil para o projeto De Bem com a Vida e Rede Digital pela Paz. O deputado ficou indignado com a informação e disse que irá cobrar do Executivo mais investimentos nos projetos voltados aos jovens.

“Os debates na audiência mostram que a sociedade está muito mais engajada do que os entes governamentais. Falta tratar o jovem como prioridade. O que são R$ 5 mil para um governo que estima arrecadar R$ 19 bilhões este ano?”, questionou Barranco.

O presidente do Conselho Estadual de Educação, Carlos Caetano, ponderou que o Estatuto da Criança e do Adolescente não foi totalmente implantado e é preciso garantir o fortalecimento da educação, fazendo críticas ao congelamento dos orçamentos e de investimentos no país. Projeto semelhante será apresentado pelo governo do estado à Assembleia ainda este mês, que trata do congelamentos dos gastos públicos.

Juarez França, da Associação dos Estudantes Secundaristas, pontuou a questão da violência da própria polícia contra os jovens. Ele lembrou do episódio em que 10 adolescentes foram apreendidos dentro da Escola Ferreira Mendes, durante as ocupações, e contou que a maioria deles optou por não retornar mais para o colégio, o que faz com que eles fiquem à mercê do crime.

“A juventude precisa ter voz na sociedade. Fazemos a 'Batalha do Alencastro' e é um momento que o jovem da periferia vai para o centro (da cidade), mas muitas vezes é interrompido pela polícia. Queremos mais prevenção e menos opressão. Queremos uma polícia mais cidadã, que faça o acolhimento e não a opressão”, declarou França.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), Henrique Lopes, questionou a forma como o Estado está presente nos bairros e a disputa entre as drogas e o governo é constante. “Atacam os sintomas, ao invés da causa”.

Durante a audiência, houve ainda uma apresentação de hip hop com a rapper Karla Vecchia, que faz parte dos projetos Favela Ativa e também Hip Hop em Ação. Os dois projetos são realizados em bairros periféricos de Cuiabá e são voltados para os jovens, auxiliando na prevenção.

Luiz Gonzaga, responsável pelo projeto social Anália Franco, que atende 80 jovens no bairro Dr. Fábio 2, falou sobre o projeto e a necessidade do apoio do poder público para ampliação do centro de treinamento que está sendo construído, com objetivo de ampliar a capacidade para atender cerca de 500 pessoas.

Barranco informou que irá encaminhar as demandas apresentadas durante a audiência para os órgãos responsáveis e, como parlamentar, irá cobrar do Executivo que destine recursos aos projetos sociais e também efetivem políticas públicas voltadas para os jovens e o combate à violência.
 

Robson Fraga

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