“Não foi gestão, foi ilusão”: Valdir Barranco usa poema na ALMT para fazer duras críticas ao governo de MT
Deputado transforma tribuna em espaço de denúncia política e social, com críticas à saúde, obras, educação e servidores
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) protagonizou um momento incomum e de forte repercussão na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta terça-feira (7), ao apresentar um poema autoral como forma de crítica direta à ex gestão do Estado. Intitulado “Mauro Mendes: O Governo que Virou Anúncio”, o texto foi declamado durante sessão ordinária e trouxe uma construção narrativa marcada por ironia, indignação e denúncias, transformando a linguagem poética em instrumento político.
Logo na abertura, o parlamentar sintetiza o tom do pronunciamento ao afirmar: “Chamaram de gestão, mas era propaganda com bravata”, deixando claro que, em sua avaliação, o governo tem priorizado a construção de imagem em detrimento de entregas concretas à população.
Ao longo do poema, Barranco direciona críticas contundentes à infraestrutura e às obras públicas, com destaque para a situação da mobilidade urbana na capital Cuiabá. Em um dos trechos mais emblemáticos, o deputado afirma: “Cuiabá virou canteiro de ausências: o VLT virou BRT, o BRT virou buraco, e o buraco virou paisagem desastrosa”, numa referência direta às mudanças e aos atrasos envolvendo projetos estruturantes.
A crítica se amplia ao comparar a realidade local com outras regiões do país, sugerindo ineficiência na execução de obras e reforçando a ideia de que o Estado tem ficado para trás em áreas essenciais de desenvolvimento.
Na saúde pública, o tom do poema se torna ainda mais incisivo e dramático, ao retratar o sofrimento da população diante da falta de estrutura e atendimento. Barranco denuncia o que chama de colapso do sistema ao declarar, “UTIs fantasmas, filas reais”, seguido de uma das passagens mais fortes do texto: “O governo dizia: ‘há vagas’. A vida respondia: ‘não há tempo’”, evidenciando a gravidade da situação enfrentada por quem depende do serviço público. O parlamentar também menciona indicadores preocupantes e critica a distância entre os dados oficiais e a realidade vivida pela população, reforçando o caráter social da denúncia.
A educação também é alvo das críticas do deputado, que aponta abandono e falta de compromisso com o futuro das novas gerações. Em tom simbólico e contundente, Barranco afirma, “Formaram-se números, diplomaram-se ausências, aprovaram-se fantasmas. E o futuro foi reprovado por abandono”, sugerindo que, apesar de avanços estatísticos, há uma fragilidade estrutural que compromete a qualidade do ensino e as perspectivas da juventude mato-grossense. A crítica se conecta a um panorama mais amplo de desigualdade e falta de oportunidades.
No que diz respeito aos servidores públicos, o parlamentar adota um discurso firme ao denunciar medidas que, segundo ele, penalizam trabalhadores e aposentados. “Um governo inimigo dos servidores, que não pagou a RGA, que retirou direitos conquistados em décadas de luta”, declarou, ao abordar a taxação de aposentados e pensionistas e outras decisões administrativas. Ele também menciona o impacto dessas políticas na vida das famílias, apontando para o endividamento e o agravamento das condições sociais como consequência direta de escolhas governamentais.
A questão ambiental também ganha espaço no poema, com críticas ao avanço do garimpo ilegal e seus efeitos devastadores. O deputado cita a contaminação por mercúrio e menciona áreas sensíveis, como o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, ao afirmar. “Um rastro de destruição que contamina rios, peixes e vidas”, ampliando o debate para além da política institucional e trazendo à tona preocupações com o futuro ambiental do estado e a sobrevivência de comunidades tradicionais.
Encerrando o pronunciamento, Barranco reforça sua crítica à condução geral do governo e à forma como, segundo ele, a gestão se sustenta. Em uma síntese contundente, afirma, “Não foi gestão. Foi ilusão. Quando a propaganda cai, não sobra governo. Sobra o retrato”, indicando que, em sua visão, a avaliação final virá da população por meio do voto. A apresentação repercutiu no plenário da ALMT e evidencia o uso da cultura e da arte como ferramentas de posicionamento político, intensificando o debate sobre os rumos da administração pública em Mato Grosso.
Pedro Velasco
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