“Mini lockdown” rejeitado pelos deputados está nas mãos do governador

Mauro Mendes tem o poder para decretar ou não a quarentena em Mato Grosso

“Mini lockdown” rejeitado pelos deputados está nas mãos do governador

Internet

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) rejeitou nesta terça-feira (23) o projeto de lei 195/2021, encaminhado pelo governador Mauro Mendes (DEM), que antecipava a data de 5 feriados e implantaria um “mini lockdown” nos 141 municípios de Mato Grosso, como estratégia para conter a disseminação do Covid-19.

A ideia do governo era de antecipar os feriados de Corpus Christi, Consciência Negra, Dia do Servidor Público, Dia do Trabalhador e aniversário dos municípios, entre os dias 26 de março e 4 de abril, mas a proposta foi negada. Até os deputados da base aliada do governo na Casa de Leis votaram contra o projeto. Apenas o deputado Lúdio Cabral (PT) votou a favor da proposta.

No projeto apresentado pelo governo está descrito que o seu objetivo é implementar novas medidas de contenção para o avanço da infecção diante do aumento exponencial do número da média móvel de casos confirmados do vírus, de hospitalizações e óbitos em Mato Grosso. Além de dizer que tal medida era imprescindível devido ao elevado índice da taxa de ocupação dos leitos públicos de UTI’s, que conforme dados contidos no Painel Epidemiológico nº 379 Coronavírus/Covid-19 Mato Grosso, de 22 de março de 2021, da Secretaria Estadual de Saúde, indicam 98,84% de ocupação.

De nada adianta existir o “lockdown” se o governo não tomar medidas sanitárias e econômicas para fazer com que o população mato-grossense fique em casa. Se não houver essa respaldo financeiro do estado, aquele trabalhador e trabalhadora, para garantir o sustento de sua família, vai sempre se arriscar em contrair o vírus e morrer para colocar comida na mesa. E não será esse auxílio estadual no valor de R$ 150,00, pago por apenas três meses, que irá tirar o povo da situação de calamidade que vive e fazer ele ficar em casa. É preciso mais para tantas famílias carentes do nosso estado, para os trabalhadores e para os guerreiros que travam guerras diárias tentando salvar vidas.

A falta de um olhar mais direcionado aliado a ausência de quase um tudo, leva ao caos do caos que a saúde de Mato Grosso está passando. Falta tudo e sobra nada. E o resultado é esse: 190 pessoas na fila de espera por uma vaga na UTI, todas as unidades de saúde superlotadas, risco de faltar oxigênio, risco de faltar insumos, risco de faltar medicamentos e recordes de casos e óbitos todos os dias. De acordo com o último boletim da Secretaria de Saúde, divulgado nesta quarta-feira (23), foram registradas 95 mortes nas últimas 24 horas.

Já se passou um ano desde quando o vírus chegou no Brasil, e ainda estamos engatinhando quando se fala de isolamento e consciência da população. No fator isolamento social, Mato Grosso, com patamar de 29,96%, é o pior estado do ranking nesse sentido em todo Brasil, medido pela Inloco. O Estado é o único do país com índice abaixo dos 30%. Tocantins é o segundo pior, com 34%, e Rondônia está em terceiro, com 34,1%. E não cansamos de ver cada vez mais aglomerações e festas sendo realizadas sem parar. Até quando isso vai acontecer?

Seguindo a tendência das duas últimas semanas, que foram as piores de toda a pandemia, os indicadores da doença em Mato Grosso devem piorar ainda mais nas semanas que estão por vir. Com o caos no sistema de saúde, principalmente em função variante amazônica do vírus, que é mais contagiosa, mais letal, produz quadros clínicos mais graves e pode reinfectar quem já teve o vírus, este é o pior momento da pandemia em Mato Grosso e no Brasil. Medidas duras precisam ser tomadas com urgência para conter a transmissão do vírus e evitar uma tragédia ainda maior. Todas as atividades econômicas não essenciais ao enfrentamento direto da pandemia tem de ser suspensas, e as atividades essenciais tem de haver uma ampliação no seu horário de funcionamento para evitar aglomeração. A superação desse falso dilema entre saúde e economia precisa ocorrer. O negacionismo precisa ser superado. Para proteger a economia, precisamos enfrentar de verdade a pandemia.

O Governador precisa decretar a quarentena em todo o estado. A Assembleia não precisa dar o aval, ele tem poder para isso. Mas para isso acontecer de uma maneira ordenada, ela precisa ser seguida de medidas de proteção econômica, segurança alimentar e muita fiscalização. E o governo tem recursos para isso. Somente no ano passado, a arrecadação de Mato Grosso aumentou R$ 3 bilhões.

Pedro Velasco

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

Olá, deixe seu comentário para “Mini lockdown” rejeitado pelos deputados está nas mãos do governador

Enviando Comentário Fechar :/