Estadualização da BR-163 mostra incompetência do Governo Federal, diz Barranco
Deputado citou o imbróglio como prova de mais um "descaso" federal com Mato Grosso

Marcos Melo
O deputado estadual reeleito Valdir Barranco (PT) se pronunciou e avaliou que a transferência da concessão da BR-163 para o Governo de Mato Grosso mostra, mais uma vez, a incapacidade e falta de compromisso do Governo Federal.
“Mais uma demonstração de incompetência do Governo Federal. O Estado de Mato Grosso está tendo que destinar os seus recursos, que deveriam ser destinados ao conjunto da população. Nós já vimos isso com a BR-174, agora a BR-163, a ferrovia... Daqui a pouco nós vamos virar um País aqui em Mato Grosso e vamos ter de tomar as universidades federais, os institutos federais, o Incra, o Ibama, e todos os recursos investidos serão do Estado”, continuou.
Na BR-174, o trecho entre Castanheira e Colniza foi transferido oficialmente no dia 30 de dezembro de 2021 de volta para o Governo de Mato Grosso. A rodovia deveria ter sido pavimentada e ter recebido outros investimentos, o que não aconteceu.
“Nós não temos programas do Estado para agricultura familiar. Torço para que no próximo governo, o governador Mauro Mendes possa se dedicar a eles, e esses recursos que poderiam ser dedicados a essa parcela da população”.
Segundo Barranco, toda a situação demonstra falta de compromisso com o Estado, que agora deverá investir cerca de R$ 1,2 bilhão para duplicação e manutenção da BR-163 nos próximos anos. Para ele, prioritariamente, o foco de gastos do governo deveria ser o povo.
O projeto
Na terça-feira (4), houve a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Rota do Oeste, para dar início à transferência da concessão ao Governo de Mato Grosso através da MTPar. A MTPar é uma empresa de economia mista e capital fechado, que tem como sócio majoritário o Governo de Mato Grosso.
A previsão é de que sejam investidos ainda este ano R$ 520 milhões. Seriam mais R$ 170 milhões em 2023 e R$ 510 milhões no ano seguinte, totalizando R$ 1,2 bilhão nos primeiros três anos.
No dia 28, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a transferência de controle acionário e o TAC com a concessionária Rota do Oeste. Agora, o processo de transferência do controle acionário da BR-163 entra em sua segunda etapa, com a renegociação de dívidas junto aos bancos que financiaram a primeira parte da duplicação da rodovia com a Odebrecht.
O imbróglio
A concessionária Rota do Oeste assumiu a concessão da BR em Mato Grosso em março de 2014, e previa um investimento de R$ 6,8 bilhões. Porém, após oito anos de contrato, apenas 26% da duplicação à qual se comprometeu foi realizada.
Neste ano, a empresa anunciou a intenção de devolver a concessão ao Governo Federal, para que houvesse relicitação. De acordo com o Governo, caso a relicitação viesse a acontecer, com todo o processo legal necessário, demoraria em torno de cinco anos para que as obras pudessem ser realizadas.
Para evitar isso, o Governo apresentou o projeto de transferência de concessão no TCU, para que a MTPar fosse autorizada a assumir a BR e assim poder realizar as obras necessárias na rodovia.
Principal corredor rodoviário de Mato Grosso, a BR-163 tem sido conhecida como "rodovia da morte" em razão dos inúmeros acidentes fatais que têm ocorrido nos últimos meses, muitos deles provocados pela falta de duplicação.
Olá, deixe seu comentário para Estadualização da BR-163 mostra incompetência do Governo Federal, diz Barranco