Em defesa do SAMU, da vida e contra o desmonte da saúde em Mato Grosso
Medida do governo estadual que prevê o fim do atendimento do SAMU acende alerta sobre risco de mortes e precarização da saúde pública
A decisão do governador Otaviano Pivetta de acabar com o SAMU em Mato Grosso e transferir suas funções ao Corpo de Bombeiros não é apenas uma mudança administrativa, é uma ruptura perigosa em um dos pilares mais sensíveis da saúde pública: o atendimento de urgência e emergência. Em resposta, o deputado estadual Valdir Barranco lançou um abaixo-assinado que mobiliza a sociedade contra o que já é apontado como um desmonte em curso.
Criado para garantir atendimento rápido, gratuito e qualificado, o SAMU é responsável por milhares de atendimentos todos os anos em todo o país, atuando em casos de infarto, AVC, acidentes graves e outras situações em que minutos definem quem vive e quem morre. O diferencial do serviço está na regulação médica: cada chamada é analisada por profissionais que classificam o risco e definem a resposta adequada. Não é apenas transporte, é decisão clínica em tempo real. Retirar isso da população é reduzir drasticamente a capacidade de salvar vidas.
A justificativa do governo, baseada na redução de custos, não se sustenta diante dos fatos. O SAMU é cofinanciado pelo Governo Federal, que fornece ambulâncias, equipamentos e parte do custeio das equipes. Mato Grosso, inclusive, recebeu recentemente 18 novas ambulâncias por meio desse sistema. Extinguir o serviço pode significar a perda direta desses investimentos, além de desmontar uma estrutura já consolidada. Economizar na emergência é uma conta que pode ser paga com vidas.
Os números recentes já mostram sinais alarmantes: mais de 50 profissionais foram desligados, incluindo 10 condutores socorristas, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem. Em Cuiabá e Várzea Grande, das 12 bases existentes, apenas cinco seguem funcionando, e ainda assim de forma precária. Isso não é reestruturação. É enfraquecimento deliberado de um serviço essencial.
Profissionais da linha de frente são categóricos ao afirmar que a substituição do SAMU por outro modelo compromete diretamente o atendimento. Sem regulação médica, perde-se a triagem qualificada. Sem triagem, perde-se tempo. E sem tempo, perde-se vidas. A emergência não é apenas chegar rápido, é saber quem precisa primeiro, qual recurso enviar e como agir antes mesmo da chegada ao hospital. Essa inteligência do sistema não pode ser improvisada.
O próprio histórico mostra o risco dessa decisão. Uma tentativa semelhante no Rio de Janeiro fracassou em poucos meses e precisou ser revertida, justamente pelos impactos negativos no atendimento à população. Ignorar essa experiência é insistir no erro, colocando Mato Grosso no caminho de um retrocesso já conhecido.
Para o deputado Valdir Barranco, o que está em curso é um ataque direto ao direito à saúde. Ele denuncia que a população já enfrenta filas, cirurgias atrasadas e um sistema pressionado. Enfraquecer o SAMU nesse contexto é aprofundar ainda mais a crise. “Não faz sentido cortar justamente o serviço que salva vidas em situações mais críticas. Isso não é economia, é abandono”, afirma.
Mais do que números, essa decisão tem impacto humano. São vidas que deixam de ser salvas, famílias que podem perder entes queridos por falta de atendimento adequado e profissionais sendo descartados após anos de dedicação. O SAMU representa a diferença entre o desespero e o socorro, entre o risco e a chance de sobreviver.
Diante desse cenário, o abaixo-assinado surge como instrumento de resistência e mobilização popular. É a forma que a sociedade tem de dizer que não aceita retrocessos, que não aceita ver a saúde pública ser desmontada e que não aceita que decisões políticas coloquem vidas em risco.
Não se cale diante desse absurdo. Assine e ajude a defender o SAMU: https://forms.gle/WVejSJa1uBkhgJ8U8
O SAMU é do povo. É um serviço que salva vidas todos os dias. E o povo de Mato Grosso não vai permitir que ele seja destruído.
Pedro Velasco
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