Envolvimento do MPE na "grampolândia" não assusta Barranco

“Desconfiei que tinha caroço nesse angu”, diz Barranco após delação de Gerson

Envolvimento do MPE na "grampolândia" não assusta Barranco

O deputado estadual Valdir Barranco (PT), comentou sobre as declarações prestadas pelo ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa e o coronel Evandro Lesco, que apontam suposta participação de membros do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) no esquema dos grampos ilegais. O parlamentar afirma que sempre desconfiou que “tinha caroço nesse angu” e ainda disse que o caso no Estado supera o de Watergate, ocorrido em 1974, nos Estados Unidos da América (EUA).

“É uma vergonha essa grampolândia. Nem chamo de pantaneira, porque é muito ruim para os pantaneiros. Isto já deveria ter sido resolvido, o MP se esquiva disto e sempre desconfiei disto. Qual é o papel deles? Qualquer um que cometa ou tenha indícios, ele vai para cima. Com relação ao [ex-governador] Pedro Taques (PSDB), sempre fez de conta que não era com eles. Sempre desconfiei que tinha caroço neste angu”, pontuou o deputado.

Para o petista, enquanto Taques ainda era governador, havia uma rede de proteção montada. Porém, depois que ele deixou o comando do Estado, o deputado entende que as pessoas que apenas participaram estão sendo prejudicadas e resolveram entregar os mentores intelectuais e econômicos.

“Foi dos cofres públicos que saiu este dinheiro para equipar a industria de grampos. É o maior atentado contra as liberdades individuais do mundo, da história. Não teve algo deste tipo. Se pegarmos a situação que ocorreu nos EUA, em 1974, foram três pessoas grampeadas. O presidente, mesmo tendo sido reeleito, pediu renuncia. Aqui, o governador continuou, as autoridades não fizeram nada, o MP se esquivou e acho que isto tem que servir de lição”, pontuou.

Barranco ainda recomendou que o Ministério Público sempre tem que ir a fundo nas denuncias e não pode se esquivar por qualquer que seja o motivo. Caso contrário, há risco de acontecer o mesmo do ocorrido no caso dos grampos.

“O depoimento deles não é uma fala de boteco. É algo público que vai ficar nos autos. É muito grave. Se falou, é porque nesta fumaça deve haver fogo. A Assembleia Legislativa tem a obrigação de participar disto. Tivemos pessoas que são comuns da sociedade, advogados, médicos, juízes e membros deste parlamento que teriam sido grampeados. Não podemos aceitar isto”, acrescentou o petista.

A deputada estadual Janaína Riva (MDB), citada nos depoimentos como uma das pessoas grampeadas de forma irregular na ‘grampolândia pantaneira’, quer que o procurador-geral de Justiça, José Antonio Borges, vá até a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para que esclareça o suposto envolvimento de membros do Ministério Público Estadual (MPMT) no esquema. Em seu discurso, na sessão que começou na terça-feira (17), mas só terminou após a meia noite, ela citou que existe uma “banda podre” do órgão.

Apuração

O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges determinou nesta terça-feira (16) a instauração de procedimento administrativo para investigar possível ocorrência de desvio de finalidade na utilização de "verbas secretas" do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no período compreendido entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016.

Procedimento foi instaurado diante da divulgação de trechos de depoimento prestado pelo cabo Gérson Corrêa no processo do caso conhecido como ‘grampolândia pantaneira’. O militar acusou o Gaeco de falsificar prestações de contas.

Segundo nota do Ministério Público, as verbas são destinadas a cobrir despesas operacionais em procedimentos investigatórios reservados que exigem sigilo, porém há um controle do seu uso por meio de prestação de contas.

Em seus depoimentos na tarde de terça-feira, os coronéis Zaque e Lesco confessaram participação nos grampos, disseram que tudo teria sido feito a mando do ex-governador Pedro Taques e que Janaína Riva teria sido alvo de grampo ilegal.

Conforme Lesco, Janaína Riva teria sido grampeada na Operação Metástase, a pedido do promotor de Justiça Marco Aurélio, chefe do Gaeco. O ex-vereador João Emanuel, ex-marido da deputada, também foi outro alvo da arapongagem.

Watergate

O caso Watergate foi o escândalo político que levou à renúncia do presidente Nixon. Watergate é o nome do complexo que funciona como sede do partido democrata. O caso começou com a prisão de cinco homens, que foram pegos instalando equipamentos de espionagem e fotografando documentos na sede democrata. A prisão aconteceu durante a campanha eleitoral que levou Richard Nixon, do partido republicano, ao poder.

Os repórteres revelaram em uma série de matérias que Nixon utilizou dinheiro não declarado para espionar os adversários e obter trunfos para a sua campanha.

Um dos grandes protagonistas do caso foi o informante, que ficou conhecido como Garganta Profunda, foi ele que contou que Nixon sabia da tentativa de espionagem. A identidade do informante só foi conhecida em 2005, quando William Mark Felt, na época da denúncia vice-presidente do FBI, revelou a ajuda aos jornalistas.

Em 1974, com várias provas contra o partido republicano, Richard Nixon renunciou. O substituto, o vice Gerald Ford, assinou a anistia do ex-presidente, garantindo que ele não precisaria assumir responsabilidades legais sobre o caso.

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Texto: Wesley Santiago e Carlos Gustavo Dorilêo / Foto: Rogério Florentino - Olhar Direto

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