Deputado Barranco diz que deputado que votar contra servidores “pode pendurar a chuteira” em 2026 e aposta em RGA maior que 4,26%
Parlamentar afirma que quem tem compromisso com o funcionalismo não pode barrar a recomposição integral das perdas salariais e denuncia pressão do Palácio Paiaguás sobre a base governista
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) fez duras críticas aos parlamentares que cogitam votar contra os servidores públicos durante a tramitação do projeto da Revisão Geral Anual (RGA) e afirmou que quem se posicionar contra o funcionalismo “pode pegar a chuteira, pendurar e não disputar a eleição de 2026”. A declaração foi dada na manhã desta quarta-feira (21), durante protesto de servidores na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que cobram do Parlamento e do Governo do Estado a negociação do passivo salarial acumulado nos últimos anos, estimado em 19,52%.
Segundo Barranco, o recado já foi compreendido por parte dos deputados e o cenário é favorável aos trabalhadores do serviço público. Ele lembrou que, na sessão anterior, ao menos 12 parlamentares se manifestaram abertamente em defesa dos servidores. “Eu creio que esses deputados não irão arredar o pé. Existe uma pressão muito grande do governador sobre a base, mas não acredito que eles cedam. Quem tem compromisso com o servidor não pode votar contra agora”, afirmou.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o projeto da RGA, enviado pelo Executivo na terça-feira (20), deve ser votado em sessão extraordinária marcada para as 15h. A proposta do governo prevê apenas 4,26% de recomposição, sem tratar do pagamento do retroativo acumulado ao longo dos últimos anos. Para Barranco, o percentual apresentado é insuficiente. “Isso é uma vergonha, um tapa na cara dos servidores. Não repõe nem de longe as perdas inflacionárias acumuladas”, criticou.
Barranco também comentou a reunião convocada pelo governador Mauro Mendes (União) no Palácio Paiaguás, prevista para o início da tarde, com deputados da base governista. Segundo ele, a oposição não foi convidada. “O Palácio Paiaguás não é espaço para a oposição. Eu não fui convidado, o deputado Lúdio Cabral também não e creio que a deputada Janaina Riva, que hoje se coloca firmemente como oposição, também não foi. Só chamaram quem já é alinhado ao governo”, disse.
Para o parlamentar, a postura do Executivo revela insegurança quanto à votação da matéria. Ele destacou que o projeto foi encaminhado após o dia 20 de janeiro, prazo que permitiria a inclusão de eventual reajuste já na folha salarial deste mês. “Isso explica por que o governador não insistiu antes. Ele não tem segurança de que a base vá votar contra os servidores”, avaliou.
Ao rebater o argumento de integrantes da base governista de que emendas parlamentares que tratem do retroativo da RGA seriam inconstitucionais, Barranco foi categórico. “A recomposição da RGA não é aumento salarial, é reposição da perda inflacionária. Está prevista no artigo 37 da Constituição Federal. Essa conversa de inconstitucionalidade parte de quem não quer se colocar contra o governo”, afirmou.
O deputado também apresentou dados da arrecadação estadual para reforçar a viabilidade do pagamento integral da RGA. De acordo com Barranco, em 2019, primeiro ano do atual governo, Mato Grosso fechou o exercício com receita superior a R$ 20 bilhões e saldo positivo em caixa. Já em 2025, a arrecadação teria ultrapassado R$ 58 bilhões, o que representa um crescimento de 208%. “O Estado arrecadou mais de 200% a mais nesse período e não cumpriu com esses 19,52%. O governador não pode dizer não depois de arrecadar tudo isso. A RGA é um direito constitucional dos servidores”, concluiu.
Mesmo diante da pressão do Palácio Paiaguás, Barranco afirmou acreditar que a maioria dos deputados manterá a posição em defesa do funcionalismo público. “Quem vota contra o servidor assume publicamente esse lado. E o servidor não esquece”, finalizou.
Pedro Velasco
Olá, deixe seu comentário para Deputado Barranco diz que deputado que votar contra servidores “pode pendurar a chuteira” em 2026 e aposta em RGA maior que 4,26%