Campanha do Laço Branco: Homens pelo fim da violência contra as mulheres
ARTIGO
Realizaremos nesta quinta-feira (9), na Assembleia Legislativa, uma Audiência Pública para debater a mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. A proposição da discussão faz alusão ao “Dia do Laço Branco” e integra o calendário da campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.
A campanha do Laço Branco está presente em mais de 50 países em todos os continentes e é apontada pela ONU como uma das maiores iniciativas mundiais direcionadas para a temática do envolvimento de homens com a violência contra a mulher.
Ela tem o objetivo de sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher, a partir de diversas ações realizadas por diferentes setores da sociedade que se encontram engajados na luta pela promoção da equidade de gênero e superação das desigualdades entre homens e mulheres.
A sua ação se faz necessária, de maneira urgente, visto que os casos de violência contra as mulheres aumentaram abruptamente nessa pandemia. Devido à isso, o combate à violência contra a mulher em todos os espaços ganha ainda mais urgência nesses tempos sombrios que vivemos no Brasil, onde uma mulher morre à cada seis horas e meia, e Mato Grosso é o estado que tem a maior taxa de feminicídio do país, com 3,6 casos por 100 mil habitantes.
A Campanha Brasileira “Homens pelo fim da violência contra as mulheres” integra atividades desenvolvidas em consonância com as ações dos movimentos organizados de mulheres e de outras representações sociais, que buscam promover a equidade de gênero nos campos da saúde, educação, trabalho, ação social, justiça, segurança pública e direitos humanos.
Não dá mais para aceitar a morte de mulheres pelas mãos de seus colegas, amigos, companheiros, namorados, maridos, seja o que for. A responsabilidade de quebrar esse “ciclo” da violência e de desrespeito que as mulheres são submetidas é nossa. É necessário construir políticas públicas efetivas, que garantam a autonomia econômica das mulheres e que elevem sua autoestima até para que possam libertar-se do parceiro opressor, antes que o pior aconteça.
Foi pensando nisso que o deputado estadual Valdir Barranco (PT-MT) decidiu apresentar um projeto de lei que que Institui a Semana de Mobilização dos Homens pelo fim da Violência Contra as Mulheres em Mato Grosso, à ser realizada na semana do dia 06 de dezembro, em alusão ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo fim da Violência Contra as Mulheres, instituído pela Lei Federal 11.489/2007. Além de outras proposições que tramitam na Casa de Leis, como a Lei nº 11.547, sancionada em outubro desse ano, que garante às mulheres vítimas de violência doméstica, do tráfico de pessoas ou de exploração sexual prioridade nos programas habitacionais implementados pelo Estado de Mato Grosso.
“Devemos enfrentar e combater frente à frente a violência contra a mulher com mudanças culturais profundas. Exigir, sobretudo, reflexão sistemática sobre os enormes prejuízos decorrentes de séculos de prática patriarcal, que contribuíram para a fragilização do lugar da mulher no mundo como sujeito social”, observou Barranco.
Para quem não sabe, a Campanha surgiu a partir de um triste e trágico episódio do dia 6 de dezembro de 1989, quando um rapaz de 25 anos (Marc Lepine) invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, na cidade de Montreal, Canadá, e ordenou que os homens – aproximadamente 48 – se retirassem imediatamente da sala, permanecendo somente as mulheres. Gritando: “você são todas feministas!?”, ele começou a atirar enfurecidamente e assassinou 14 mulheres, à queima roupa sem nenhuma hesitação no gatilho.
Em seguida, o assassino suicidou-se, mas não sem antes deixar uma carta na qual afirmava que havia feito aquilo porque não suportava a ideia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente dirigido ao público masculino.
O crime mobilizou a opinião pública de todo o país. Assim, um grupo de homens do Canadá decidiu se organizar para dizer que existem aqueles que cometem a violência contra a mulher, mas também os que repudiam essa atitude. Eles passaram a fazer várias ações públicas e adotaram como lema jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência. Foi então lançada a primeira Campanha “White Ribbon Campaign”: homens pelo fim da violência contra a mulher.
A partir desse acontecimento, o dia 25 de novembro foi proclamado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), como o Dia Internacional de Erradicação da Violência Contra a Mulher. O dia 6 de dezembro foi escolhido para que a violência cometida contra aquelas estudantes canadenses não fosse esquecida e a Campanha do Laço Branco é uma maneira de homenagear aquelas mulheres brutalmente assassinadas apenas pelo fato de serem mulheres.
Nas duas últimas décadas, ela já foi implementada em diferentes países: na Ásia (Índia, Japão e Vietnã), Europa (Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Espanha, Bélgica, Alemanha, Inglaterra e Portugal), África (Namíbia, Quênia, África do Sul e Marrocos), Oriente Médio (Israel), Austrália e Estados Unidos. No Brasil, o lançamento oficial foi realizado em 2001, desde então ela é lembrada por diversas organizações e entidades que lutam pela equidade de gênero, pelo empoderamento das mulheres e pela promoção da igualdade de direitos, assim como pelo pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos.
Ainda temos um índice muito alto de crimes contra as mulheres no país, que vão desde agressão física, verbal, psicológica até o feminicídio. Campanhas como esta têm importante papel na conscientização da luta pelo fim da violência e por um mundo mais igual.
É por isso que convidamos cada um/a de vocês para tomar consciência sobre a importância dessa e de outras campanhas como os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, se engajando nas ações pelo fim da violência contra as mulheres.
Valdir Barranco - deputado estadual e presidente do PT-MT
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